Histórias

Shaolin: A história do Comandante que virou Monge

13 de setembro de 2011

O que sempre me chama atenção em filmes chineses de época é a fotografia, em meio às batalhas e tramas sempre são mostrados cenários belíssimos. Lagos, florestas, campos, além e claro das contruções orientais clássicas, que fazem até o centro de uma cidade parecerem uma obra de arte. Shaolin, do diretor Benny Chan – o mesmo de Quem Sou Eu?(1998) e New Police Story (2004), ambos com Jackie Chan – não podia ser excessão à essa regra, nesse ótimo trabalho o diretor consegue captar cenas incríveis em meio ao cenário escolhido. A trilha sonora composta pelo francês Nicolas Errera não deixa de chamar a atenção, ela se encaixa perfeitamente nos momentos de tensão e na paz do mosteiro e da paisagem chinesa.

A coreografia das lutas enche os olhos como é de se esperar, mas segue um estilo não tão fantasioso, sendo um pouco mais retraído nos saltos e nas acrobacias humanamente impossíveis. Isso também não quer dizer que é 100% realista, é apenas uma redução mesmo, um estilo bem próximo do visto em Ip Man(2009).

Enredo

Shaolin, conta basicamente a história da transformação de um homem, o Comandante Hao Jie (Andy Lau). No período em que China era inteiramente devastada pelas guerras dos senhores feudais, que buscavam sem cessar a expansão territorial, o Comandante Hao era um temido senhor feudal de muitas posses e vitórias, conquistadas através do sangue de seus inimigos. Hao, apesar de severo e até mesmo cruel em certos momentos, era um homem de princípios que não pensava apenas no dinheiro como seu segundo oficial Cao Man (Nicholas Tse), e por isso não permitia que os estrangeiros construissem uma ferrovia em suas terras com o argumento de que eles usuariam isso para controlar os habtantes – alguém tem um palpite de quem eram esses estrangeiros?

Após uma reviravolta do destino o outrora Comandante Hao perdeu tudo de valioso em sua vida, suas terras, sua patente, sua filha, sua esposa, tudo com excessão da própria vida em si. Por coincidência ou não, acabou buscando ajuda justamente no famoso templo Shaolin que havia atacado anteriormente para perseguir um comandante inimigo. Todos os monges foram contra evidentemente, porém o Abade (líder do monastério) foi benevolente pregando os ensinamentos de Buda e acolheu o pobre homem.

Jackie Chan e Andy Lau

O ator chinês mais conhecido no mundo, Jackie Chan, faz uma pequena participação como o cozinheiro do monastério, que acaba sendo o alívio cômico do filme, como não poderia ser diferente. É curioso o fato de que ele nunca tira um lenço da cabeça, talvez o cachê recebido não tenha sido o suficiente para raspar a cabeça como é costume dos monges budistas. Se não fosse por uma cena, que acabou caindo na galhofa seria uma ótima participação especial. Apesar de ser bem menos famoso que o ícone que é Jackie Chan ou até mesmo do inexpressivo Jet Li, Andy Lau atua muito melhor que os dois já citados e rouba a cena nesse que eu considero um grande trabalho, e deveria.

Spoiler mas nem tanto…

Não poderia deixar de falar sobre a cena que mais me chamou atenção, durante um ataque ao mosteiro um dos monges é morto em batalha, na verdade alguns são mortos, mas esse em especial chama mais atenção porque quando cai de um piso mais elevado ele pousa exatamente sobre as mãos da estátua de Buda, fazendo uma simbologia visual impressionante de quem está sendo entregue ao outro mundo, uma cena linda de se admirar.

Mensagem

A grande mensagem do filme é que qualquer um, por mais impossível que possa parecer, pode mudar e se tornar uma pessoa melhor. A metamorfose do impiedoso Comandante Hao Jie em um honrado e respeitável monge budista se deve à fé na doutrina budista e disciplina e calma aprendida por meio do kung fu, entretanto não é preciso se tornar um monge para essa melhoria acontecer. Essa disciplina pode ser alcançada de várias maneiras na vida, com o trabalho, com a arte, com música e até mesmo com a simples força de vontade.

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