Mobilidade impulsiona investimentos em TI e Telecom

Corporações brasileiras investem pesado em tecnologias que permitam ter mais acesso às informações, em qualquer lugar e a qualquer tempo.

Por REDAÇÃO COMPUTERWORLD

16 de outubro de 2008 – 12h38
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Com forte movimento de adoção da mobilidade, seja um simples serviço de voz móvel ou uma sofisticada aplicação de dados, o mercado brasileiro de tecnologia da informação e de telecomunicações se mantém em ritmo de expansão, embora com taxa de crescimento abaixo das registradas nos dois últimos anos (13% em 2006 e 12% em 2005).

Em 2007, o faturamento dessa indústria no Brasil atingiu 196,032 bilhões de reais, o que representou um aumento de 7% (em real) em relação ao faturamento registrado em 2006, informa o estudo 100 Maiores Empresas de TI e Telecom 2008, do Now! Digital Business.

Em dólar, com a moeda cotada na época do levantamento a 1,95 real, esse crescimento foi bem maior, cerca de 20%, representando um volume de vendas da ordem de 100,5 bilhões de dólares. “Em 2008, esse crescimento será ainda mais elevado, na faixa de 8%”, avalia Mauro Peres, country manager da IDC Brasil, empresa de consultoria de negócios de TI e de telecom.

“O mercado está bem mais aquecido, com uma economia em expansão e previsão de um PIB (Produto Interno Bruto) maior do que nos anos anteriores. Muitos projetos de tecnologia que foram amadurecidos no ano passado estão sendo implantados agora, e as empresas estão compondo um cenário otimista até o final do ano”, diz ele.

Embora com menor número de empresas no ranking das 100 Maiores, o setor de telecomunicações abocanha a maior fatia do bolo de negócios realizados no mercado brasileiro em 2007. Apenas sete operadoras de telecom – Oi, Telefônica, Vivo, TIM, Brasil Telecom, Embratel e Claro – faturaram 116,1 bilhões de reais da receita total, aproximadamente 190 bilhões de reais.

Os serviços de telefonia fixa ainda continuam responsáveis pelas maiores vendas do setor, com receitas superiores a 45 bilhões de reais, mas o avanço da comunicação móvel é incontestável. Os serviços de voz celular, por exemplo, passaram de 4,5 bilhões de reais em 2006, para 26,6 bilhões de reais em 2007.

A venda de aparelhos celulares cresceu de 12,7 bilhões de reais em 2006 para 15,3 bilhões de reais no ano passado. “São cada vez mais fortes os braços da migração da telefonia fixa para a comunicação móvel”, atesta José Roberto Mavgnier, analista de telecomunicações da Frost & Sullivan.

“A mobilidade está em maior evidência, principalmente no segmento de telefonia celular, pelo fato das ligações de telefonia móvel estarem mais baratas, entre usuários de uma mesma operadora”, explica ele.

A implantação de novas redes IP, GSM e de terceira geração (3G), embora ainda incipientes, também impulsionou os negócios no ambiente da mobilidade, segundo Mavgnier, e adicionou novos assinantes às bases das operadoras de telecomunicações. “Isso veio dar impulso à mobilidade, com a criação de novos aplicativos, tanto no segmento móvel corporativo, quanto no segmento de consumo doméstico, com os recém lançados serviços de localização, por exemplo.

A oferta de acesso à internet móvel está começando a decolar”, diz ele. Segundo o analista da Frost&Sullivan, a expansão do mercado brasileiro está de mãos dadas com o crescimento da economia. “Estamos projetando um crescimento da base de assinantes na área de telefonia móvel de 14%. Ou seja, até o final do ano chegaremos ao patamar de 137 milhões de assinantes”, indica Mavgnier.

Para Mauro Peres, da IDC, o apelo da mobilidade, sem dúvida, é muito forte também como suporte à expansão do mercado de TI. Segundo o estudo do Now!Digital Business, as maiores receitas na área de TI foram proporcionadas pelas vendas de PCs, notebooks e palmtops, com um total de 6,2 bilhões de reais. “É notável o aumento da proporção de notebooks no conjunto das vendas de PCs”, observa Peres.

Em 2007, de acordo com os dados apurados pela IDC, foram vendidos 10,7 milhões de computadores no Brasil, o que, inclusive, tornou o País o quinto maior mercado mundial de PCs. Pelo menos 20% do total, indica Peres, foram de notebooks. A perspectiva é que em 2012, quando o Brasil alcançará a condição de terceiro maior mercado mundial de PCs, essa participação cresça para 47%.

“A conveniência é importante, a diferença de preço caiu muito e com isso o notebook ganhou um apelo muito maior, com melhor design e sensação de mobilidade crescente”, afirma.

Mas a expansão dos negócios no mercado de TI espelha outros movimentos, igualmente fortes em várias direções, analisa o diretor geral da IDC Brasil. “As empresas brasileiras estão investindo pesado, também, na migração de suas infra-estruturas de TI para ambientes de virtualização, para consolidar seus sistemas em tecnologias mais avançadas. O objetivo é reduzir gerenciamento, diminuir os custos de energia, propiciar várias economias na sua infra-estrutura”, explica Peres.

Na área de software, assinala o especialista, tem sido muito marcante a retomada dos investimentos em sistemas de gestão corporativa, ERP (Enterprise Resource Planning), por empresas de segmentos que não de manufatura – empresas que fizeram IPO (em inglês Initial Public Offering), ou seja, abriram seu capital no mercado acionário.

O estudo 100 Maiores registra os avanços: na categoria Gerenciamento, a receita passou de 149,4 milhões de reais em 2006 para 1,06 milhão de reais, em 2007, enquanto as vendas com software de Gestão subiram de 201,1 milhões de reais em 2006 para 1,044 bilhão, no ano passado. “A preocupação com a governança corporativa e exigências regulatórias leva à adoção de sistemas de gestão integrada mais avançados, à implantação de melhores práticas de gestão”, diz ele.

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